Blog do jovino machado


23/02/2014


7 PERGUNTAS PARA ANA LUIZA PARISI

01: Quem é Ana Luiza Parisi ?

 

Ana Luiza é uma menina espevitada, caçadora de aventuras, cultivadora de prazeres, sonhadora, que tem uma águia enorme dentro de si, um coração enorme e o peito aberto para o mundo. Aprendiz de tudo, aprendiz da vida. Artista por natureza. Em constante transformação, sem perder a essência.

 

02: O que é o amor ?

 

Sinceramente, eu não sei responder essa pergunta. Não sei definir o amor. Acho que ninguém sabe. A gente apenas sente. Sente que gosta de uma pessoa e precisa dela. Sente que quer fazer essa pessoa feliz. Basicamente, é mais ou menos isso, eu acho.

 

03: O que o sexo representa pra você como prazer físico e poético ?

 

O sexo pra mim é o elo entre duas almas. Não importa o grau de afetividade. Sexo bom é aquele feito sem preocupação com nada, praticando com carinho de ambas as partes. É uma troca. É feito com arte. Pra mim ( agora falo de mim ) é pura vaidade, dando lugar ao orgasmo.

 

04: Qual o significado do teatro na sua vida ?

 

Teatro, pra mim, é a própria vida. E vice-versa. Eu faço teatro porque é a única coisa que eu sei fazer de verdade. É minha válvula de escape, seja ele em prática ou mesmo em teoria. Envolve criação e corpo. Envolve a alma toda ! Teatro é fantástico !

 

05: O que sente quando está no palco ?

 

Calafrio. Isso é o que sempre sinto. De resto, procuro não pensar em nada, a não ser no personagem.

 

06: 10 coisas que gostaria de fazer antes de morrer ?

 

Saber aproveitar bastante a vida; ser atriz profissional; conhecer pessoas que eu considero ilustríssimas no meio artístico e trocar muitas ideias com elas; dar a volta ao mundo, inclusive no Brasil; ter filhos ( penso que 3 ); conseguir criar meus filhos sem culpa, com maior liberdade e disciplina possíveis; ser diretora de teatro; comprar uma casa antiga e arrumá-la de meu jeito; fazer teatro até morrer; amar até morrer.

 

07: Como gostaria de morrer ?

 

Não sei exatamente. O que sei é que gostaria de morrer tranquila, sem arrependimento de nada, com todas as dívidas pagas ( não me refiro a dívidas financeiras, mas dívidas sentimentais, afetivas e de carreira ). E que seja uma morte leve e indolor em todos os sentidos. Quem sabe morrer como Vinícius de Moraes ? Numa banheira, mas aí eu trocaria o uisque por um vinho do porto. Ouvindo rock e comendo uvas. Isso depois de ter um almoço ( lazanha, torta holandesa de sobremesa ) agradabilíssimo com as pessoas que eu mais amo.

 


 

 

 

 


Escrito por Jovino Machado às 20h00
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10/01/2014


CAMISA 10

eu não te conhecia

eu não sabia quem você era

 

você veio do interior

jogou nas divisões de base

 

você entrou no segundo tempo

 

eu estava perdendo de zero

eu sofria com a falta de sorte

eu sofria com as bolas na trave

 

você se aqueceu discretamente

aguardou a permissão do juiz

ignorou a torcida adversária

e entrou de cabeça erguida

 

você dominou um cruzamento na área

deu um lindo drible em seu marcador

driblou o meio de campo e os zagueiros

mandou um chute rasteiro e preciso

no único lugar onde a bola poderia entrar

 

você está na primeira divisão

do campeonato do meu coração

você está no primeiro escalão

do meu sofrido e vermelho coração

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 18h38
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CHEIRO DE LUA

eu não gosto de você

porque o seu sorriso

tem o calor do inferno

 

eu não gosto de você

porque o seu cabelo

tem a maciez do colo de deus

 

eu não gosto de você

porque o seu olhar

tem o brilho

da primeira manhã do paraíso

 

eu gosto é do seu cheiro de lua

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 18h30
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AS 4 ESTAÇÕES

no verão

te quero nua

grávida de mar

 

na primavera

te quero linda

grávida de flor

 

no outono

te quero toda

grávida de céu

 

no inverno 

te quero sempre

grávida de lua

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 18h19
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SAFIANAS

ana júlia

19 anos

libriana

ar

7 de outubro

ouve rock

na primavera da vida

teremos sol

 

ana clara

27 anos

ariana

fogo

14 de abril

ouve samba

no verão da vida

 

ana luiza

38 anos

virginiana

terra

27 de agosto

ouve jazz

no outono da vida

teremos vento

 

ana maria

69 anos

canceriana

água

13 de julho

ouve bach

no inverno da vida

teremos morte

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 18h14
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09/01/2014


ANJO CAÍDO

asas ruídas

unhas quebradas

espírito em queda

 

mau agouro

terra maldita

regressão e desordem

 

foice da morte

não brilha no céu

arde no sbterrâneo

 

insulta as minhas lágrimas

nunca falta o disfarce

só ama a própria sombra

 

quer matar o meu sorriso

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 00h10
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EXU DE ORATÓRIO

cobra cínica

música sinistra

ossos cruzados

 

cova funda

caveiras cruas

corvo pestilento

 

rio escuro

filme de terror

hospício florido

 

depressão cíclica

dor no estômago

monstro na escuridão

 

seu silêncio é áspero

sua delicadeza tem crateras

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 10h41
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08/01/2014


CRUZ CREDO

não ouse chegar perto

não olhe, nem de longe

trago no bolso esquerdo

um crucifixo de prata

que foi de minha avó

 

tenho sal grosso no alforge

galho de arruda na orelha

uma espada de são jorge

e uma réstia de alho na porta

 

vade-retro, pé de bode

 

" praga de urubu magro

não mata cavalo gordo"

 

o credo está na ponta da língua

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 20h52
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07/01/2014


LÚCIFER NO CIO

seu próximo passo

é retocar o batom

e assassinar

o amor que não existe

 

seu próximo passo

é pintar as unhas

e furar os olhos

da menina triste

que quer ser madonna

 

seu próximo passo

é usar os novos brincos

e derrubar do viaduto

o menino pobre

que quer ser guevara

 

seu próximo passo

é escolher a minissaia

e comprar a alma

do último trovador

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 11h10
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06/01/2014


SATANÁS DE SAIA

satanás de saia

não quis ser viúva

morreu na praia

 

seu fogo era frio

sua forca era fraca

seu punhal era podre

 

se enforcou no ego

se queimou na vaidade

se matou na maldade

 

não quis envelhecer

antes de apodrecer

belo pasto para os vermes

 

a cruz é espelho

doentias são as flores

contaminadas pelo abismo

 

jovino machado

 

 

 

 

Escrito por Jovino Machado às 13h20
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05/01/2014


A DAMA DAS TREVAS !!!

sabe dançar a falsa valsa

seu voo é um presságio sombrio

no impulso lúdico caiu da torre

e perdeu a terceira perna

pode andar sem ela com muletas

mas vai sentir muito a sua falta

fala baixinho com uma fada

mas fere fundo como uma bruxa

sua saliva é venenosa e cruel

anda com passo de gazela

para não despertar os cães

deu um salto trapezista

quando o cupido se abaixou

para apanhar a flecha

sabe fingir em alemão

ou sabe-se lá qual idioma

demônio medieval

disfarçada de anjo barroco

pode ser vista ao lado de satã

na divina comédia de dante

ou rezando uma ave-maria

aos pés de nossa senhora do desterro

no altar da igreja do pilar

numa estranha alquimia

entre o sagrado e o profano

vai passar a eternidade

no nono circulo do inferno

ao lado de caim e judas

virgílio vai lhe virar a cara

sua beleza é uma cadela

que me envia em seus latidos

um ganido de socorro

que a vingança transformou

em cantiga de maldizer

 

jovino machado

Escrito por Jovino Machado às 17h11
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12/08/2011


DELICADEZA

 

Jovino,

 

 

Delicadeza, passeávamos de mãos dadas entre Gaudí e Miró. Nosso desejo eram tatuagens sobre nossos corpos de chamas catalãs. No principio não havia nada, só você sentado no banquinho da minha cozinha, ouvindo Chico Buarque e tomando vinho francês. Tênis All céu, All Star entre o branco e o preto ! Vontade de escutar poesia na cama com a morte, com o Glauber, com você !

 

 

Claudia Antunes Oliveira

 

Escrito por Jovino Machado às 17h00
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26/07/2011


DEUS E JOVINO NA TERRA DO SOL

 

 

Ana Elisa Ribeiro

 

O panteão de Jovino Machado, poeta mineiro, parece uma festa. Deuses e diabos brindando num terreiro imenso. Talvez uma rave, cheia de pílulas excitantes, em estão presentes Hércules a cavalo, Oxum, Oxóssi, o Deus católico, São Judas, Platão e Iemanjá, pra equilibrar os níveis de testosterona do ambiente. É nessa mesma festa que deus ( com minúscula, como o diabo ) se prepara para enfrentar Rin tin tin e os despachos são encontrados na ponta da caneta do poeta. Todo esse ecletismo, ou ecumenismo, ou, ainda toda essa dúvida, faz parte dos poemas do Balacobaco, oitavo livro de Jovino, lançado, em uma bela e negra edição, pela Orobó edições, de Belo Horizonte. Balacobaco é dividido em três partes, bem distintas, que podem ser, também, consideradas os três grandes poemas do livro : Sua pele, Balacobaco e Candomblezado. A primeira parte traça uma comparação entre a pele de um afeto do poeta ( eu lírico ? ) e uma série de eventos ao longo da vida dele, culminando com " o ano em que adiei meu suicídio / e mergulhei no reino da luz ". A segunda parte é uma sequência surpreendente e quase exaustiva de atritos e navalhadas entre deus e o diabo. Tal sequência, em que abunda a assonância do fonema / d /, poderia ter se tornado cansativa, não fossem as surpresas divertidas que ela guarda, como " deus é o diabo do diabo ". A terceira e última parte aproxima-se dos orixás e da cultura negra. É nessa parte que Iemanjá se sacode na frente do espelho e os frangos de encruzilhada são colocados no caminho. O incômodo de Jovino Machado com deuses e diabos não é de hoje. Confiram-se essa teofagia e essa diabofagia em outros livros do poeta, pelo menos em Disco ( 1998 ) e Samba ( 1999 ), sendo que este é uma coletânea dos seis volumes anteriores. Venha ler neste terreiro.

 

Ana Elisa Ribeiro é poeta e professora. Publicou os livros Poesinha ( Poesia Orbital, 1997 ), Perversa ( Ciência do acidente, 2002 ) e Fresta por onde olhar ( Interditado, 2008 ).

 

 

 

 

Escrito por Jovino Machado às 20h35
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21/07/2011


FRATURA EXPOSTA

 

Este poema é um grito. Este poema é um desabafo. Este poema é uma constatação de impotência, um chamado, uma declaração de ódio e de amor. Este poema não mede consequências, este poema não espera condescendência, este poema não aceita condolências. Este poema é um pedido de socorro, uma mensagem numa garrafa lançada dentro de um bueiro, uma pichação debaixo de um pontilhão. Este poema é uma manifestação de guerra, de dor, de desespero, de esperança. Este poema quer dizer, este poema quer falar, este poema diz e fala. Este poema é ela, não é ele. Este poema não é ele um poema e sim é ela, ela mesma, a Poesia em pessoa. Este poema é a poesia, resume toda a poesia. A poeta que existe neste poema, a poeta encerrada nestas páginas, a poeta prisioneira da " cidade da solidão ", ela é quem senão a própria poesia ? Esta poeta só poderia ter sido concebida por Jovino Machado, um poeta que vem de Minas Gerais. Não é mais possível escrever poesia a não ser em Minas Gerais. Nunca foi. Em Minas vivem alguns de meus poetas preferidos, só mesmo em Minas Gerais eles poderiam existir. Não vou dizer quem são eles, pois vocês aí sabem quem são. Jovino Machado é um deles.

 

 

Joca Reiners Terron

 

São Paulo, inverno de 2005

 

 

 

 

 

Joca Reiners Terron nasceu em Cuiabá, em 1968, e vive em São Paulo. Foi editor da Ciência do Acidente, pela qual publicou o romance Não há nada lá ( 2001 ) e os livros de poemas Eletroencefalodrama ( 1998 ) e Animal anônimo ( 2002 ). É autor também de Hotel Hell ( Livros do Mal, 2003 ), Curva de rio sujo ( Planeta, 2003 ), Sonho interrompido por guilhotina ( Casa da Palavra, 2006 ) e Do fundo do poço se vê a lua ( Companhia das Letras, 2010 ) Nota: o texto acima foi escrito originalmente para as " orelhas " do livro Fratura Exposta de Jovino Machado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Jovino Machado às 16h37
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14/07/2011


TRAÇOS DE UMA INESQUECÍVEL TERTÚLIA

     Na tarde do dia 27 de novembro de 2010, alguns amigos e colegas do poeta e jornalista Alécio Cunha atenderam à convocação para um encontro no bar do Nonô, bairro Carmo, para minimizar um pouco da saudade deixada pela lamentável e precoce partida de Alécio, aos 40 anos, no ano anterior. Foi uma tarde ensolarada e animada, regada a cerveja, pinga, poesia e muita prosa, incluindo música, cinema e literatura - bem ao estilo aleciano. Vez por outra, a cada nome de ator não lembrado do papo cinematográfico, trecho de poema recitado ou estilo musical mencionado, um brinde era feito - não necessriamente pelo grupo inteiro, mas por aqueles dois ou três que discutiam na mesa assuntos pulverizados por conversas de toda sorte. Flagrei ainda alguns brindes solitários, sussurados entre o copo e a garrafa e um olhar lançado para cima. Enquanto os dois primeiros eram mais festivos, este era mais silencioso, comovente. A turma estava devidamente capitaneada por Márcia Queiroz e iluminada pela lúdica presença do filho João. Além de Coca-Cola e petiscos, João solicita ao garçom parte do bloco de pedidos e, de posse de uma caneta vermelha, começa a produzir vários desenhos daqui e dali. Quando as pessoas se dão conta, percebem que são elas mesmas que têm suas fisionomias sendo incorporadas aos traços de João. O filho de Alécio e Marcinha simplesmente desandava a produzir caricaturas dos presentes sob a forma de animais e logo a produção artística unificou os assuntos da mesa - não só em função da qualidade dos desenhos, mas devido também à pergunta com a qual João foi bombardeado várias vezes : por que tal pessoa fora associada a determinado animal ? Jovino Machado, um sapo. Adriana Versiani, formiga. Simone Neves, cobra. Ricardo Teixeira de Salles, tartaruga. Mário Alex, lagartixa e assim sucessivamente, incluindo alguns momentos curiosos, como transeuntes anônimos que passavam por ali, além de primeiros esboços. Aqui, o meu caso serve como exemplo intrigante : na primeira versão, a mim foi atribuído o desenho de um lobo, mas depois o veredicto gráfico do artista a mim foi um carneiro... com cara de lobo ! ( Ou seria um lobo em pele de carneiro ? ) De uma forma ou de outra, ou melhor, seguindo várias formas e bichos, o resultado produzido por João tem um misto de irreverência, sagacidade e observação. Não é à toa que, por exemplo, o desenho dos transeuntes, estranhos ao autor, não tem, digamos, uma animalidade definida, sendo mais monstruosos do que os amigos da mesa, que com muito afeto e humor eram associados aos seus respectivos bichos. Entre gargalhadas e piadas recíprocas dos presentes, cada um comentando e fazendo suposições das razões que o levaram a ser traçado e troçado como tal animal, eu me lembrei de que a primeira música composta - solo - por Noel Rosa, cujo centenário de nascimento ( 11 de dezembro de 2010 ) se aproximava daquela data do encontro, foi precisamente Festa no Céu, em que coloca a bicharada para fazer uma farra nas alturas. De lá, ou de onde for, certamente Alécio terá aprovado esta farra dos bichumanos na fantástica Terra de João, ainda mais se considerarmos, para a ocasião, os apropriadíssimos versos alecianos de Água Forte:

palavras são riscos

grafite pintada em tons tristes

então olhas o outro

revolução dos pincéis

as cores mudam

desnudam o sentido

exato dos astros

tua boca sorri

                                             ( de Lírica Caduca, 1999 )

Nísio Teixeira

Professor de Jornalismo da Fafich / UFMG e jornalista. Atualmente colabora no site de cinema Filmes Polvo www.filmespolvo.com.br

 

                                          

 

 

Escrito por Jovino Machado às 19h52
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26/06/2011


DE MARCELO MIRISOLA PARA JOVINO MACHADO

 

Livros 

 

 

Oi Jovino,

 

Recebi seus livros e o jornal A Parada. Gostei mais das poesias do Cor de Cadáver.

 

 

Entrevista no Cronópios 

 

 

Oi Jovino,

 

 

Até agora : 1580 visitas. Tá em primeiro lugar. Só faltou dizer que eu tenho o pau grande. Não sei como você vai fazer, mas seria interessante passar essa informação para as suas alunas de 17 e 18 anos.

 

 

Ninfetas

 

 

Ah, tá. Todas as mulheres do mundo deviam ter 19 anos. Agora quero ler a entrevista do Reinaldão.

 

 

Comida

 

 

Você tem restaurante ? Me ganhou. Quero comer torresmo mineiro.

 

 

Minha Nina

 

 

A primeira lembrou uma música do Moska ( ? ) que ele contrapõe a porralouquice do " autor " e a caretice da mulher por quem se apaixonou. Essas mulheres, a meu ver ( que a poesia e o poeta me perdoem ) são as melhores. De resto, no alvo.

 

 

Pro dia nascer feliz

 

 

Jovino, esse trio, Vanusa, Antônio Marcos e Débora Duarte são uma das coisas mais bonitas dos anos setenta. Mais o Belchior e as manhãs de setembro, é claro. Abração e ótimo domingo pra você.

 

 

MM

Escrito por Jovino Machado às 23h06
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20/06/2011


DE CARLOS HERCULANO LOPES PARA JOVINO MACHADO

 

Meu caro Jovino,

 

 

Das várias oportunidades que tive de ir à Montes Claros - a maioria delas participando de eventos literários - pude conhecer e conviver com vários autores da cidade. Em uma das minhas idas por lá - creio que em outubro passado, quando fui falar para os alunos do " Indyo ", tomei conhecimento do seu trabalho, agora já não me lembro através de quem; mas sei que li um poema seu. Senti em "Saciedade dos poetas vivos " - que agradeço a sua gentileza ao enviá-lo a mim -  um grande salto na sua poesia, em relação ao livro anterior : ela está mais solta, leve, segura e você com mais firmeza manejando o leme. Por outro lado o livro ficou muito bem feito, e tem muita gente boa participando. Fiquei muito contente com a sua presença no lançamento de O último conhaque.

 

 

Um grande abraço e a amizade do,

 

 

Carlos Herculano Lopes

BH. Julho 1995

Escrito por Jovino Machado às 15h42
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19/06/2011


FELIZ ANIVERSÁRIO CHICO BUARQUE

 

FUTUROS AMANTES

 

Não se afobe, não

 

Que nada é pra já

 

O amor não tem pressa

 

Ele pode esperar em silêncio

 

Num fundo de armário

 

Na posta-restante

 

Milênios, milênios

 

No ar

 

E quem sabe, então

 

O Rio será

 

Alguma cidade submersa

 

Os escafandristas virão

 

Explorar sua casa

 

Seu quarto, suas coisas

 

Sua alma, desvãos

 

Sábios em vão

 

Tentarão decifrar

 

O eco de antigas palavras

 

Fragmentos de cartas, poemas

 

Mentiras, retratos

 

Vestígios de estranha civilização

 

Não se afobe, não

 

Que nada é pra já

 

Amores serão sempre amáveis

 

Futuros amantes, quiçá

 

Se amarão sem saber

 

Com o amor que eu um dia

 

Deixei pra você

Escrito por Jovino Machado às 13h43
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13/06/2011


DE MILENA DE ALMEIDA PARA JOVINO MACHADO

 

meu encanto

 

tem a cor da flor de prata

 

que chegou pelo correio

 

na promessa de " ano bom "

 

dia em que me encontrou o poeta

 

e adivinhou em versos

 

a nossa comunhão

 

 

beijo  

 

                    Milena

 

 

Milena de Almeida nasceu em Belo Horizonte em 1980. Jornalista e editora da MININAS, publicação de bolso de literatura e artes visuais. A revista, gratuita, é distribuída em BH, São Paulo e Paris.

Escrito por Jovino Machado às 17h16
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10/06/2011


DE GLAUCO MATTOSO PARA JOVINO MACHADO

 

SP - 12 / 1992

 

Jovino : 

 

Obrigado pela revista e pela carta. Quanto à revista de cara é igual a todas as outras publicações do gênero, mas o conteúdo varia conforme as cabeças de quem edita & colabora. A sua cabeça, p. ex. parece bem " arejada " & jovial, apesar do tom meio deprê dos teus poemas ( o que não lhes tira o mérito, só analiso o estado de espírito ). Mas já que você diz que sentiria " alegria " com um livro meu, entãovamos melhorar o teu astral. Não precisa pagar nada ( em $ ), exceto me retribuindo com o formato do teu pé no papel como este. Acha estranho ? Pois é, pra ser meu amigo tem que compartilhar ( ou pelo menos não estranhar ) certos gostos esquisitos meus. Mas como você é mineiro e os mineiros têm uma sensibilidade especial no pé ( quem diz isso não sou eu, são os mineiros ) vai entender minha sensibilidade do nariz e da língua quanto ao pé. Claro que, pra entender mesmo, cê teria que ler minha " autobiografia ", da qual tenho exemplar disponível, caso queira. Bem, voltando aos poemas, gostei deles, apenas não costumo comentar por escrito o mérito literário de outros autores. É costume meu. Quanto à sua paixão pela paulicéia, é fundamentada ( isto é, você conhece a cidade ) ou uma afeição à distãncia ? Esta cidade é meio ingrata com quem a ama ( como eu ). Finalmente, cumprimentos ao seu professor pela mentalidade atualizada. A propósito : você lia tudo que eu escrevia na Chiclete ? Se lia, já tá vacinado ...

 

 

Abracadabraço do Glauco

 

 

Glauco Mattoso é autor dos livros de sonetos : Paulisséia ilhada, Geléia de rococó e Centopéia, entre outros. Editou o Jornal Dobrabil.

Escrito por Jovino Machado às 17h27
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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, BARROCA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese

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