Blog do jovino machado


29/11/2009


ALÉCIO CUNHA

TCHAU QUERIDO

Escrito por Jovino Machado às 11h28
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26/11/2009


LU PEIXOTO

   

 e tudo é bossa

a quem interessar possa
 

Escrito por Jovino Machado às 21h40
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24/11/2009


FOTOS DE JAVERT DENILSON BASTOS NO LANÇAMENTO DE AMAR É ABANAR O RABO

AMAR É ABANAR O RABO NA MESA DO BAR

FLÁVIA ALMEIDA E SUA BELA AMIGA

OS OLHOS TRISTES DA MUSA

SIMONE NEVES, JOVINO MACHADO E BRENDA MARQUES

CLOSE DA CAPA DO LIVRO

O POETA É VIRA-LATA

Escrito por Jovino Machado às 19h06
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22/11/2009


JOVINO E FERNANDO MACHADO ENTREVISTAM MARCELO COELHO I

01: Quem é Marcelo Coelho?
Considero-me mais um crítico cultural do que jornalista, uma vez que não tenho grande inclinação para a reportagem. Como crítico cultural, gosto de me sentir filiado ao espírito iluminista, com forte influência de Freud e do "marxismo ocidental". 
 
02: Gosto se discute? Porque?
  Sim, pois gosto muda, gosto se aprende, gosto evolui... não é algo que esteja inscrito no DNA de uma pessoa, como provavelmente está a ojeriza a cebola ou alho.
 
03: Como foi a sua experiência como professor universitário?
  Tive duas experiências. Uma, quando recém-formado em Ciências Sociais, no que hoje é a Universidade de Guarulhos; foi traumática, porque eu era muito tímido e não tinha o menor preparo para lidar com uma classe de quase duzentos alunos. Mais de vinte anos depois, dei aulas de jornalismo cultural na Faculdade Cásper Líbero, onde me surpreendi com o bom nível de muitos estudantes, e não tive problema em formular um curso voltado para questões de teoria estética. Organizar o curso, com começo, meio e fim, ajudou enormemente a organizar o meu pensamento sobre diversos autores, dando origem ao livro "Crítica Cultural: Teoria e Prática".
 04: Como foi o projeto de reforma da Folha de São Paulo em 1984? Você teve liberdade de opinião?
Não participei do projeto. Já era muito amigo do Otavio Frias Filho, mas nossas conversas raramente se voltavam para o cotidiano do jornal, mesmo quando comecei a trabalhar lá, uns seis meses depois da implantação do projeto. Mesmo sobre uma famosa crise daqueles tempos iniciais, envolvendo um abaixo-assinado de vários jornalistas da Redação, fiquei sabendo muito pouco.
  05: A sua coluna na Ilustrada é um sucesso. Fale sobre isso.O que é o sucesso pra você?    O que ele representa para a sua vida?
  Acho longe de ser um sucesso. Basta ver o caso de alguns colegas de coluna, como Contardo Calligaris e Arnaldo Jabor (que começou como colunista na Folha) para ver que minha audiência e influência pública é muito menor! Acho que quando comecei senti muita hesitação entre procurar o impacto polêmico e a tendência para o texto mais "açucarado", estetizante, que me é mais natural. Aos poucos fui equilibrando as coisas, acho, mas minhas preferências vão sempre mais para o erudito, e isso nem sempre dá Ibope. Do ponto de vista pessoal, acho que sempre soube que ia acabar fazendo o que faço hoje, e a atividade me realiza muito, sem precisar que eu me esfalfe demais.
 06: O que te dá mais prazer? Escrever um livro,ou traduzir obras de Voltaire e Valéry?
 Traduzir não dá muito prazer não. É um trabalho que não rende, você passa horas e só deu conta de umas poucas páginas. Escrever ficção, quando consegui, me deu enorme prazer; a sensação é exatamente oposta --você não percebe o tempo passar.
 
07: O seu texto discute aspectos sociológicos, antropológicos que causam impacto na vida contemporânea.
 Fale sobre isso.

Sempre gostei muito do "Mitologias", do Roland Barthes, e esse livro continua a ser um modelo para mim. "Minima Moralia", de Adorno, vai no mesmo caminho, e embora eu cada vez mais me sinta afastado de textos como o "Dialética do Iluminismo", mantenho certa fidelidade à "teoria crítica", pelo menos quando se trata de encontrar num pormenor do cotidiano os indícios de uma contradição mais ampla.
 08: O que achou da série de conferências O silêncio dos Intelectuais  organizadas pelo Adauto Novaes?
 O que este tipo de debate representa em termos de crescimento para as pessoas num mundo capitalista?
 Acho que o tema era muito pertinente, embora não se restringisse às dificuldades enfrentadas pelos intelectuais petistas depois do mensalão. Creio que diz respeito a um problema maior, que foi o da arrogância da esquerda em vários momentos do século 20, e que tem em Sartre um dos exemplos mais contundentes. Crescimento para as pessoas no mundo capitalista? Acho que envolve, principalmente, o desafio de abandonar o charme extremista da esquerda sem cair na banalidade de direita que hoje toma conta de muitos intelectuais e polemistas. Como sempre, trata-se de aprender lições, e não de esquecer o que já se disse.

 9: Um dos palestrantes do seminário O silêncio dos Intelectuais disse que a maioria é especialista em suas  respectivas aréas e que intelectual é aquele que mete o bedelho em tudo aquilo que não é de sua alçada. Neste  caso o maravilhoso Caetano Veloso é um intelectual.O que pensa sobre isso?
 Não se trata apenas de meter o bedelho, mas de dizer coisas pertinentes, amplas, na hora certa, a partir de um compromisso com seus próprios valores e com a verdade dos fatos, mostrando novos ângulos de um problema. Às vezes uma pessoa célebre apenas desabafa, e isso tem destaque. Mas o que tenho lido de Caetano Veloso supera muito o mero desabafo, e representa uma intervenção intelectual no sentido próprio do termo, talvez um pouco exagerada pela tietagem que a cerca. 

 10: Qual a leitura que você faz do Brasil Hoje do ponto de vista político, social e cultural?
 Houve avanços nestas áreas no governo Lula?
 Do ponto de vista político houve mais retrocessos do que avanços: um clima de complacência com o arreglo partidário, o declínio completo das formas de auto-organização da sociedade, em proveito de esquemas cartoriais e de uma psicologia de obediência a um líder providencial. Socialmente, os números indicam a ascensão da classe C, e não apenas o socorro essencial aos atendidos pelo Bolsa-Família; acho que o acesso dos pobres à universidade, ainda que de má qualidade, é tão importante quanto o Bolsa-Família, e é uma das causas legítimas da popularidade de Lula. Culturalmente, há alguns subprodutos positivos de tudo isso, como o surgimento de manifestações literárias e musicais na periferia, uma presença maior da cultura brasileira (e do interesse por ela) no plano internacional. Do ponto de vista da realização estética, entretanto, não vejo nenhum salto de qualidade na literatura, na poesia, no cinema, na música, na arquitetura... Acho que talvez em artes plásticas se tenha criado (mas no cinema também) um sistema mais regular de produção e de mercado. A televisão continua o lixo que sempre foi, mas isso vale em qualquer parte do mundo, eu acho; mas pelo menos era, há um tempo atrás, lixo cultural apenas, não lixo pessoal (BBBs e congêneres), canais de vendas de produtos e programas religiosos.


Escrito por Jovino Machado às 13h27
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JOVINO E FERNANDO MACHADO ENTREVISTAM MARCELO COELHO II

11: O que achou da gestão do Gilberto Gil no Ministério da Cultura?
 Não tenho opinião, não... acompanho zero das discussões de política cultural, financiamentos etc.

12: Você escreveu um livro sobre Montaigne para a série Folha Explica.
 Qual a importância deste pensador francês para o mundo atual?
 acho que ajuda muito naquele "crescimento pessoal" a que se referia a pergunta 8, e também ao compromisso da verdade consigo mesmo, da sinceridade, da pergunta 9. É curioso, entretanto, que o elogio dos interesses privados e certo espírito de auto-ajuda, na linha dos estoicos, tenha recebido uma versão extremamente degradada nos tempos atuais.
13: Quem são os seus poetas preferidos?
  Valéry, Rilke, Dylan Thomas, Drummond, Montale.
14: Faça uma lista de 10 filmes imperdíveis.
 Não acho que existam filmes imperdíveis. Há os de todas as listas, como Encouraçado Potemkin, Cidadão Kane, Morangos Silvestres, Em Busca do Ouro, Apocalipse Now. Cito alguns menos óbvios que gostei de não ter perdido, como
A Palavra, de Dreyer
Sob a Neblina da Guerra, documentário com Robert McNamara
O seriado "Roma" (primeira temporada especialmente)
Conte Comigo, de Rob Reiner
O Fiel Camareiro

e gostaria de mencionar alguns que não me fariam falta nenhuma se eu tivesse perdido: Julie e Jim, de Truffaut, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen, O Acossado, de Godard, Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, Noite Vazia, de Walter Hugo Khouri, O Tempo das Diligências.
15: Como é a rotina profissional de Marcelo Coelho?
 Acordo tarde, leio o jornal, almoço, vou duas vezes por semana à Folha, escrevo antes de mais nada a coluna diária do Voltaire de Souza para o "Agora", gasto um bom tempo lendo o "Times Literary Supplement", que sai toda semana,  passo uma hora mais ou menos respondendo e-mails ou comentários do blog, e as horas mais produtivas, são das 23h às 3 da manhã, quando leio livros, escrevo para o blog ou toco projetos mais de médio prazo, como ensaios longos ou textos literários.
16: Como é trabalhar com Otávio Frias Filho? Ele é um chefe rigoroso?
 Temos uma concordância muito grande, não apenas de pontos de vista, mas de estilo de pensamento, de modo que não conversamos quase nada de assuntos profissionais. Como colunista e blogueiro, escrevo o que quero, sem interferência de  nenhuma instância do jornal.
17: É verdade que a Folha é o único hoje no Brasil que paga pelas resenhas literárias?
Não sabia disso, mas sei que é pouco.
Porque a crítica praticamente acabou no país? As grandes editoras compram os jornais?
Evidentemente não. Basta ver o tipo de livros de maior interesse comercial e o tipo de livros que tem atenção da crítica. Não acho que a crítica tenha acabado, mas acho que as resenhas habitualmente publicadas tendem a ser mais rápidas e informativas do que propriamente analíticas. O campo da análise fica mais ao encargo da universidade, onde o aumento da produção não veio acompanhado de ganhos equivalentes em termos de qualidade.
18: Depois que a imprensa fofoqueira descobriu que pode transformar qualquer cretino em celebridade,
 a questão do formador de opinião ficou deturpada porque qualquer emergente fala sobre tudo.
 Diante deste caos,qual o papel da imprensa na formação de leitores,eleitores e cidadãos?
 Você se considera um formador de opinião?
 O termo sempre me pareceu antipático. Se a imprensa forma opiniões, é quando noticia por exemplo um escândalo evidente ou revela problemas como o da pedofilia ou da violência policial. O papel da imprensa, para mim, sempre foi o de apontar problemas quando todos estão vendo soluções. Quanto mais consegue fazer isso, mais contribui para que as decisões e atitudes dos eleitores e cidadãos sejam mais conscientes.
19: O que você gosta de fazer quando não está trabalhando?
 Felizmente, a diferença entre trabalhar e não trabalhar é pequena para mim. Se estou lendo ou ouvindo música, que são as coisas que mais gosto de fazer, estou pegando coisas que podem ser úteis para o meu trabalho.
 
20: O que é mais importante na vida para Marcelo Coelho?
 Manter alguma distância de si mesmo.

Clique e ouça:

http://www.youtube.com/watch?v=q0RjFhymjho

Escrito por Jovino Machado às 13h26
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09/11/2009


ANA ELISA RIBEIRO ENTREVISTA JOVINO MACHADO

Falando com o poeta dentro do terreiro

Jovino Machado já fazia parte da minha estante muito antes de eu saber que ele era palpável. Comprei o volume Disco no mesmo ano em que o livro foi lançado, encontrei com Jovino na gravação de um programa da tevê a cabo de Belo Horizonte, mas achei o cara muito porra louca pra que eu, esta moça indefesa, me aproximasse para dizer que Disco era muito bom.

Mais tarde, comprei o Samba, que era um coletânea dos livros anteriores, que já eram difíceis de encontrar [não sei se estão esgotados ou se estão debaixo da cama do Jovino, em algum lugar da ´torre de azulejos do Alto Barroca´]. E estive, quase sem querer, no lançamento do Balacobaco, quando deixei de comprá-lo porque estava entretida com outras coisas.

A poesia curta & grossa, bem-humorada e marginal de Jovino me dava a impressão de que o poeta era meio pichador, meio moleque de rua, botequeiro sem excessos. E era mesmo. Quando consegui ter acesso ao autor de Balacobaco, saquei que ele havia sido tudo isso, mas já era outra coisa: um homem maduro, sensível, sereno e sério. E eis a entrevista que ele me deu, com todos os Jovinos do mundo:


Estante: Balacobaco é seu livro mais recente, certo? Quais são os antecessores dele? Já há sucessores?

Jovino: Os antecessores são: Só poesias (1981), Em cantos e versos (1982), Uma mordida para cada língua (1985), que pertencem à primeira fase de minha obra realizada em Montes Claros, nos anos 1980. Deselegância discreta (1993), Trint´anos proust´anos (1995) e Disco (1998), que pertencem à segunda fase. Samba aparece em 1999. Trata-se de uma coletânea-síntese do que de mais significativo o poeta Jovino produziu nas últimas duas décadas. Os sucessores já estão a caminho. Poesia Esporte Clube é um volume em homenagem aos meus amigos vivos e mortos. Acho que não vai ser vendido. Vou distribuir no dia do meu aniversário ou vou lançar numa pastelaria no centro da cidade. O outro projeto é o mais ambicioso e segue a linha conceitual de Disco e Balacobaco, mas deixa que eu falo numa outra entrevista.

Estante: Jovino, sua poesia tem um tom e uma forma explicitamente carregados de anos ´70. Você deve ter lido os marginais todos e ainda é um deles. Há algo de errado na minha afirmação?

Jovino:
Não há nada de errado na sua afirmação. Vou fazer 40 anos em 2003 e sou o mesmo pirata de sempre. Li todos os marginais, fumei maconha com Chacal e Jorge Mautner. Tenho livro prefaciado por Leila Míccolis e me correspondi por muitos anos com Glauco Mattoso. Hoje não uso mais drogas ilícitas, mas adoraria fumar um baseado com Rimbaud, ou tomar uma cachacinha com Raduan Nassar ou mesmo um chopp com a Perversa. O Balacobaco é um livro do século XXI.

Estante: Você produz poesia e publica livros em Belo Horizonte. Quais são as dificuldades e as facilidades disso?

Jovino: O difícil eu já consegui. Agora eu quero o dificílimo. Nada é fácil, mas nada é tão difícil. Poesia, felizmente, não serve para nada, no sentido prático da vida. Serve para aliviar as dores da minha alma, mas o capitalismo não quer saber de alma nenhuma. O mais difícil é encontrar o público leitor.


Estante: Qual é o lugar da escrita na sua vida? Quando você começou a escrever? O que leva você a escrever?

Jovino: Não sou um poeta de fim de semana. A poesia é a menina dos meus olhos. Acordo e durmo pensando nela. Quem conhece minha obra conhece a minha falsa biografia. Eu comecei a escrever no início dos anos ´80, em Montes Claros, ao lado de Aroldo Pereira, Amelina Chaves e Juca Silva Neto, que era o nosso melhor repentista de plantão. E tudo rolava ao som de Zé do Coco do Riachão.

Estante: O quê ou quem você destaca na produção poética atual?

Jovino: Gosto muito do trabalho do Antônio Cícero, Armando Freitas Filho, Maria Rita Kehl, Claufe Rodrigues, Arnaldo Antunes. Dos poetas da poesia cantada, adoro o Nando Reis, o Zeca Baleiro e o pessoal do Cordel do Fogo Encantado.

Estante: Alguns dos seus poemas estão no novo Livro da Tribo. Há alguns anos, eu mesma fui uma compradora de agendas da tribo e curtia pacas ler os poetas que figuravam ali. Você acha que isso amplia muito seu público leitor?

Jovino: Amplia muito. Agora a minha poesia está chegando nas mesas das secretárias, dos funcionários públicos, dos estudantes, etc. A Editora da Tribo publica 80 mil exemplares por ano e em 2003 meu trabalho está saindo pela segunda vez, ao lado de poetas como Mário Quintana e Alice Ruiz.

Estante: Eu falei em ¿público leitor¿... é engraçado, né? Qual é o público leitor de poesia?

Jovino:
O público leitor são os próprios poetas, professores, estudiosos, pesquisadores de literatura. É um público pequeno. São poucos e bons.

Estante: Você é o público leitor de quem?

Jovino: Leio os culpados de sempre: Homero, Dante, Virgilio, Dostoiévski, Balzac, Proust, Goethe, Borges, Saramago, Fernando Pessoa, Sá-Carneiro, Sartre, James Joyce, Vorginia Woolf, Baudelaire, Rimbaud, Lewis Carrol, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Manoel de Barros, Carlos Drummond, Mário e Oswald de Andrade e os poetas da minha geração.

Estante: Obrigada, Jovino. Sua poesia é do balacobaco, cara!

Jovino: Eu sou o próprio BALACOBACO.

ENTREVISTA REALIZADA EM 2002

Foto: de Jovino: Javert Denilson

Clique e ouça:

http://www.youtube.com/watch?v=PHIe9B5plDI

 

 

 

Escrito por Jovino Machado às 19h56
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06/11/2009


JOVINO MACHADO ENTREVISTA OLAVO ROCHA I

1: Quem é Olavo Rocha?

 “Olhando ninguém diz / que ele tem problemas sérios / O machado e a cicatriz / dão até uma aura de mistério”.

 2: Como foi o início do Lestics?

 A banda começou comigo e o Umberto Serpieri, como uma espécie de projeto paralelo. A gente tocava nos Gianoukas Papoulas e decidiu gravar um disco em home studio, no começo de 2007. Gravamos o “9 sonhos”, gostamos do resultado e ainda em 2007 lançamos outro álbum, o “les tics”. O Patu (baixista), o Lirinha (guitarrista) e o Felipe (baterista) entraram em 2008, porque queríamos ter uma banda completa pros shows. Os três se encaixaram perfeitamente na proposta da banda. Como quinteto a gente gravou o terceiro disco, “Hoje”.

 3: Onde você se inspira para criar as letras de suas canções? Você acredita em inspiração?

 Acredito sim. É como começa. Mas depois da faísca eu costumo trabalhar bastante pra tentar produzir um incêndio.

 4: "O meu cartão de crédito é uma navalha", "Eu vi a cara da morte e ela estava viva", "A esperança é que faz a contagem dos corpos". O que está escrito acima é poesia ou letra de música?

 No que se refere ao meu trabalho, é letra. Não coloco aqui nenhuma escala de valores, nenhuma idéia de que poesia seja melhor ou mais nobre que letra de música. Mas só considero meus versos plenamente realizados quando cantados e acompanhados da música. O que faz deles, em essência, “letras de música”.

 5: O que é música?

 Uma coisa inútil sem a qual não é possível viver.

 6: Qual foi o seu primeiro contato com a música?

 Sou fascinado desde sempre. Em casa a gente ouvia fitas K-7 da Clara Nunes, do Chico Buarque, Vinícius e Toquinho, Originais do Samba, coisas assim.

 7: Cite 10 compositores que você ama.

 Cartola, Nick Cave, Mano Brown, Neil Young, Chico Buarque, Leonard Cohen, Nelson Cavaquinho, Elvis Costello, Tom Zé e Tom Waits.

 8: Que livros levaria para uma ilha deserta?

 Cèline, Proust, Graciliano, Melville, João Cabral, Thomas Bernhard, Lobo Antunes, Philip Roth, Dostoiévski... Levaria os meus livros todos pra reler e mais um monte que eu ainda não li.

 9: O que você sente quando está no palco?

 Basicamente sou eu lá. Não muito diferente do que sou fora de lá.

 10: Fale separadamente sobre cada um dos músicos do Lestics. Quais as qualidades e defeitos de cada um?

 Eu adoro o Umba, o Patu, o Felipe e o Lirinha. As qualidades e defeitos não são impressões pra ficar compartilhando, são coisas da nossa amizade.

 

Escrito por Jovino Machado às 22h41
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JOVINO MACHADO ENTREVISTA OLAVO ROCHA II

11: O que você quer com a sua banda? Sucesso? Dinheiro? Prestígio? Ser amado? Entrar para a história? Se divertir? Apenas trabalhar ou construir uma obra musical de qualidade?

 Não faço música só pra me divertir, faço porque preciso fazer. E sonho em fazer músicas melhores do que aquelas que já fiz.

 12: A grande mídia descobriu que pode transformar qualquer cretino em celebridade.O que acha disso?

 Acho que a mídia já sabe disso faz tempo.

 Você não tem medo de fazer sucesso e ser confundido com esses idiotas que ficam em todos os programas falando de coisas que não são da alçada deles?

 Na hipótese pouco provável de eu vir a fazer sucesso, acho que não correria esse risco. Mas sigo a máxima de Twain, algo como “é melhor ficar calado e deixar que as pessoas suspeitem que você é um idiota do que abrir a boca e acabar com as suspeitas”.

 13: Na maioria dos casos todo mundo elogia todo mundo no mundo artístico. Ninguém quer se comprometer. Ninguém quer comprar briga. A maioria diz que não quer fazer papel de crítico. Como você ainda não pertence a esse mundinho, diga sem pensar muito o que é que você não gosta na música brasileira?

 Uma letra que eu joguei fora dizia que “o elogio é pra evitar qualquer atrito / mesmo que não haja nada pra exaltar / porque aqui quase tudo é superfície / mas o vácuo também tem o seu lugar”. Chamava-se “Física Clássica da Brodagem” e foi descartada porque me pareceu óbvia demais.

 14: O que acha de artistas consagrados resgatarem músicas consideradas bregas e dizer que agora são cult?

 Só me lembro que o Caetano transformou em sucesso uma música do Peninha, faz muitos anos. De qualquer forma, acho esse negócio de cult um troço bem adolescente.

 15: O importante é a diversidade?

 Certamente. Taí o Darwin pra comprovar.

 16: Você acha que ainda continua valendo aquela máxima de que só existem dois tipos de música, a boa e a ruim?

 Não, acho que existem inúmeras nuances entre esses dois pólos.

 Você consegue achar coisas boas em qualquer estilo musical?

 Se eu procurasse, é bem provável que acharia.

 17: Tirando o Antônio Abujamra a maioria dos entrevistadores são muito bonzinhos com seus entrevistados. De minha parte devo dizer que tenho nojo de apresentadores que não deixam o entrevistado falar. O que acha disso?

 Acho que o Abujamra é um bom exemplo de entrevistador que frequentemente parece mais interessado nos próprios comentários e citações do que nas respostas de seus entrevistados.

 Você já passou isso? Já deu entrevista por telefone e no outro dia abriu o jornal e percebeu que deturparam o que você falou?

 Já. Às vezes a gente não fala exatamente aquilo que os caras querem publicar. Aí eles consertam.

 18: Quais são as suas maiores qualidades e os seus maiores defeitos.

 Não tão vaidoso e nem tão modesto para ver sentido em ficar falando das minhas qualidades ou defeitos...

 19: O que Olavo Rocha gosta de fazer quando não está trabalhando?

 Quando eu não estou trabalhando eu gosto de tudo.

 20: O que é mais importante na vida para Olavo Rocha?

 Os meus.

Escrito por Jovino Machado às 22h38
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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, BARROCA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese

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